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  • 08.10.2012 - O IDOSO PORTADOR DE ALZHEIMER: CUIDADOS DE ENFERMAGEM E ORIENTAÇÕES AOS FAMILIARES PARA O CUIDADO DOMICILIAR.

    1GRANDE, A. M.; 1COUBE, M. A.; 2GIORDANI, A. T.
    1 e 2 Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP/CLM), Departamento de Saúde e Educação –Bandeirantes/PR

     

    RESUMO


    Com o aumento da expectativa de vida, há um grande número de idosos que na sua maioria é acometida por inúmeras doenças crônico-degenerativas que afetam o sistema cognitivo causando incapacidade e dependência, como é o caso do Alzheimer. Este estudo objetiva destacar a importância do cuidado de Enfermagem junto ao idoso com Mal de Alzheimer e valorizar as orientações adequadas que o enfermeiro pode transmitir aos familiares do doente para que melhor compreendam a doença, seus sinais e sintomas, a importância do diagnostico precoce e como dispensar cuidados domiciliares adequados. Para a realização dessa pesquisa bibliográfica procedemos ao levantamento e análise de dez (10) literaturas científicas com menos de nove anos de publicação e sobre a temática central. Cuidados aos portadores dessa doença são realizados por profissionais da Enfermagem, mas também por cuidadores familiares que necessitam de orientações para tal, pois não apresentam conhecimentos necessários sobre o Alzheimer. Intervenções de Enfermagem específicas aos portadores dessa doença são imprescindíveis e para tanto, os profissionais envolvidos devem estar bem preparados, pois é comum que o doente encontre dificuldade de expressar verbalmente suas necessidades e frequentemente, realizam ações inaceitáveis. Depreendemos que o Alzheimer é uma patologia que dificulta a realização de tarefas triviais na vida diária devendo ser repassadas orientações e conscientizações adequadas.

    Palavras-chave: Doença de Alzheimer; Família; Idoso.

    INTRODUÇÃO


    De acordo com Freitas et al. (2008) e Fonseca e Soares (2007), o aumento da expectativa de vida, devido ao processo de urbanização, avanço tecnológico e medicinal, há uma grande incidência de idosos, que na sua maioria são acometidos por doenças crônico-degenerativas que afetam o sistema cognitivo causando incapacidade e dependência, como o Alzheimer.
    Segundo Fonseca e Soares (2007), seu primeiro diagnóstico foi realizado em 1907 pelo neuropatologista alemão, Alois Alzheimer o qual identificou sinais e sintomas. Essa patologia é um tipo de demência que acomete a maioria da população idosa. Pesquisas demonstram que pelo menos metade dos internos de asilos apresenta algum tipo de demência como o Alzheimer, tendo um alto custo no seu atendimento, sendo assim uma questão de plena atenção e de prioridade nas pesquisas (ROACH, 2003).
    O cuidado de enfermagem é imprescindível para pessoas portadoras de Alzheimer, pois estas apresentam sintomas comportamentais e dificuldade de expressar suas necessidades verbalmente, realizando assim ações anti-sociais. É de suma importância que a Enfermagem oriente os cuidadores dos clientes portadores de Alzheimer devendo levar em conta o lado emocional envolvido por tratar-se muitas vezes de um ente querido.
    Cabe a Enfermagem realizar atividades de prevenção e inclusão, baseando se no processo de humanização onde analisa o cliente como um todo, não focando somente na patologia, mas sim visando seus valores, princípios, idéias e atitudes; proporcionando uma melhora na qualidade de vida desses portadores de Alzheimer. A equipe de enfermagem também apresenta conhecimentos técnicos, específicos e teóricos para elaboração e aplicação de tais atividades. As orientações passadas aos familiares visam enfatizar a importância do afeto, da comunicação, da dedicação, da paciência diante do stress e esgotamento existente no decorrer do tratamento.
    O familiar desempenha um papel fundamental na inclusão do idoso na rotina domiciliar como: escrevendo lembretes com tarefas simples, porém fundamentais, por exemplo: trancar a porta, estimulando assim sua independência; facilitar a compreensão ao elaborar perguntas com respostas objetivas; manter diálogos, preservar as habilidades do cliente, evitar conflitos diretos amenizando desgastes desnecessários.
    A união do exame físico e neuropsicológico, com os dados levantados pelo enfermeiro, é primordial para um diagnostico de Alzheimer preciso (cerca de 90%), mostrando nitidamente um dos importantes papéis desempenhado pela Enfermagem (ROACH, 2003).
    Este estudo objetiva destacar a importância do cuidado de Enfermagem junto ao idoso com Alzheimer e valorizar as orientações adequadas que o enfermeiro pode transmitir aos familiares do doente para que melhor compreendam a doença, seus sinais e sintomas, a importância do diagnostico precoce e como dispensar cuidados domiciliares adequados.

    DESENVOLVIMENTO


    O Alzheimer é uma patologia neurodegenerativa de progressão rápida, irreversível com destruições de neurônios, perda cognitiva e demência, a qual incapacita os idosos de realizarem o auto cuidado, dependendo assim de profissionais da Enfermagem e de familiares, para a realização dessas tarefas cotidianas como, por exemplo, alimentação e higienização. Foram demonstradas possíveis causas para a etiologia do Alzheimer, como a diminuição da acetilcolina presentes nos cérebros de clientes com essa doença provocando a falta de memória e cognição, depósito da proteína beta-ameloide formando placas, aparecimento de emaranhados neurofibrilares o qual é marca registrada no cérebro para a progressão da patologia e fatores genéticos que causam seu aparecimento precoce (PIVETTA, 2008; ROACH, 2003).
    No entendimento de Pivetta (2008), é fundamental reconhecer o princípio da ação do Alzheimer para que terapias de retardamento sejam  estabelecidas no seu estagio inicial, pois esta não apresenta diagnostico preciso.
    É necessário um cuidado especial aos portadores de Alzheimer, os profissionais devem priorizar uma conduta humanizada tendo uma visão holística, garantido ao cliente a valorização do ser integral e não somente da doença. Estes apresentam sintomas comportamentais como  agressões físicas e verbais, podem se tornar andarilhos, resistentes aos cuidados, o que dificulta ainda mais. As agressões são manifestadas por influência de sentimentos de raiva, desamparo, fadiga ou ansiedade, demonstradas através de chutes, insultos, ameaças entre outras. Familiares do idoso doente e profissionais da Enfermagem devem sob orientação do enfermeiro tomar algumas precauções como falar com a voz calma e tranqüila, não reagir negativamente ou positivamente a comentários.
    Alguns portadores de Alzheimer apresentam com freqüência necessidade de fazer caminhada sem rumo, sempre correndo o risco de não saber retornar ao ponto de saída e, geralmente têm razões para tal comportamento devendo ser analisadas pela equipe de Enfermagem. A recusa ao cuidado é um problema de comportamento que abrange a resistência ao tomar banho, comer, tomar medicamentos necessitando de ações por parte do enfermeiro, equipe de Enfermagem e dos demais cuidadores, como: evitar discussões e dar instruções simples, tentando novas alternativas. Também, alguns sintomas inaceitáveis perante a sociedade são desempenhados pelos portadores como: comportamento sexual
    explícito e lambuzar-se, jogar alimentos ou materiais fecais ou mesmo, apossar-se de pertences de outras pessoas (ROACH, 2003).
    Os cuidadores dos portadores de Alzheimer, geralmente familiares, devem receber orientações e atenção do enfermeiro, pois passam por um momento delicado o qual realizam cuidados diariamente sem interrupções por tratar-se de uma doença incurável e progressiva. Deve-se então, levar em conta a individualidade do cuidador, do bom humor necessário frente às dificuldades e empecilhos cotidianos e da compreensão de que sentimentos de raiva e culpa são normais nesta situação. Sendo assim, a adaptação diante da nova rotina de vida é preciso para um bom desempenho no cuidado voltado para o portador.

    CONCLUSÃO


    Foi possível depreender que o Alzheimer é uma patologia neurodegenerativa que causa morte progressiva de neurônios ocorrendo perda de memória e cognitiva tornando-se dificultosa a realização de tarefas triviais na vida diária. Por isso, a orientação e conscientização dos cuidados adequados a cada cliente devem ser repassadas de forma sutil pela Enfermagem, devendo implantar os processos de humanização diante da fragilidade adquirida pela enfermidade, visando o emocional, o racional, a intuição e o espiritual resultando numa visão holística. Essa também
    apresenta conhecimentos técnicos, específicos e teóricos para elaboração e aplicações de atividades dos familiares com os portadores de Alzheimer, buscando assim um bom tratamento domiciliar, levando-se em consideração o estado emocional e físico em que se encontra o idoso e seus familiares. Todos os sintomas comportamentais devem ser averiguados e administrados com cautela para que se preserve o portador de Alzheimer de problemas maiores possíveis de serem prevenidos.

    Diante de um conhecimento técnico e teórico da assistência de Enfermagem, as orientações apresentadas aos familiares cuidadores contribuem para um resultado satisfatório para o retardamento do Alzheimer. As atividades de reabilitação realizadas por familiares proporcionam ao cliente à estagnação da doença, incluindo o idoso a rotina domiciliar, sem causar traumas, estimulando sua independência, comunicação, o que proporciona bem estar e melhora na qualidade de vida.


    REFERÊNCIAS

    ARGIMON, Irani de Lima; TRENTINI, Clarissa Marceli. A presença da doença de Alzheimer e suas repercussões na dinâmica da familiar. Revista Brasileira de Ciência do Envelhecimento Humano, Passo Fundo, v. 3, n. 1, p. 98-104, jan/jun. 2006.
    CALDEIRA, Ana Paula S.; RIBEIRO, Rita de Cássia H. M. O enfrentamento do cuidador do idoso com Alzheimer. Arq. Ciênc. Saúde v. 11, n. 2, p. 100-104, Abr. -Jun. 2004.
    COTRAN, Ranzi S.; KUMAR Vinay; TUCKER, Collins. Patologia Estrutural e Funcional, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A., 6. ed., p. 1186-1189, 2000.
    ELIOPOULOS, C. Enfermagem gerontológica. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
    FONSECA, Aline Miranda; SOARES, Enedina. Interdisciplinaridade em grupos de apoio a familiares e cuidadores do portador da doença de Alzheimer. Rev. Saúde. Com. v. 3, n. 1, p. 3-11, Rio de Janeiro, 2007.
    FREITAS, Iara Cristina Carvalho et al., Convivendo com o portador de Alzheimer: perspectivas do familiar cuidador. Rev. Bras. Enferm. v. 61, n. 4, p. 508-13, Brasília, July/Aug. 2008.
    GIORDANI, Annecy Tojeiro. Humanização da saúde e o cuidado. São Caetano do Sul: Difusão, 2008.
    PIVETTA, Marcos. Na raiz do Alzheimer. Ciência e tecnologia no BR pesquisa
    FAPESP 153. ed., p. 17-21, 27/11/2008.
    ROACH, S. S. Introdução à enfermagem gerontológica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.